Sobre o esporte - Parapente
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História


Seria difícil dizer com precisão quem inventou o parapente. Por questões de patriotismo, sempre haverá quem jure ser o pioneiro do seu país o inventor disso ou daquilo. Além disso, às vezes vários pioneiros têm idéias semelhantes em locais diferentes.
Serão citados aqui os principais fatos e nomes, reconhecidos internacionalmente, que de uma forma ou outra levaram ao surgimento do esporte.


Pierre M. Lemoigne - Início dos anos 60
Tentando fazer um paraquedas que pudesse ser rebocado, Lemoigne cortou passagens de ar em pontos específicos de um paraquedas hemisférico, possibilitando que o mesmo voasse para frente e fosse razoavelmente dirigível.
A idéia de Lemoigne é usada até hoje no parasailing, onde um paraquedas deste tipo é rebocado por uma lancha, dando aos turistas uma vista privilegiada do local.


Pioneer and Parachutes Incorporated ParaCommander - 1961
Baseada na invenção de Lemoigne, a Pioneer and Parachutes Incorporated (PI) desenvolveu o ParaCommander, que ficou conhecido como PC, e logo começou a ser usado em campeonatos de paraquedismo.



ParaCommander

Acionando os controles (esquerda/direita ou ambos), o piloto alterava a direção do fluxo de ar que passava nos diversos cortes, e a forma do canopi. A resultante dessas forças virava o paraquedas ou permitia reduzir a velocidade horizontal, quando ambos os controles eram acionados.


David T. Barish - 1965
Embora muito similar a um parapente moderno, a invenção de Barish tinha uma única superfície, e foi projetada para abertura em queda livre (era um paraquedas).



A vela de Barish

A vela de Barish tinha um sistema de trava nos freios para evitar o estol acidental por excesso de comando. Até um ponto seguro, os comandos eram leves. Ao chegar no ponto de transição das travas, o peso aumentava cerca de cinco vezes.
Dois paraquedistas de testes da PI pousaram "na mosca" no primeiro salto, comprovando a boa dirigibilidade do invento. A taxa de queda era de aproximadamente 3,5 m/s, e a velocidade horizontal de cerca de 30 Km/h.


Domina C. Jalbert - 1966
Jalbert patenteou o que chamou de "dispositivo aéreo do tipo asa multi-células". Ainda era um paraquedas, projetado para resistir ao impacto das aberturas em queda livre. O grande diferencial estava na utilização de duas superfícies, separadas por diversas paredes internas que davam molde a um aerofólio. Os princípios deste modelo, que ficou conhecido como "Ram Air", são utilizados até hoje nos paraquedas modernos e nos parapentes.



Corte vertical

As figuras ao lado são as do pedido de patente de Jalbert.

Na figura 2, se nota a parede de uma célula, que une as superfícies superior (extradorso) e inferior (intradorso), dando ao conjunto a forma de aerofólio. Também é evidente a grande boca de entrada de ar na parte frontal (bordo de ataque). Não tão evidente é a pequena saída de ar na parte traseira (bordo de fuga), coisa que os parapentes não têm.


Corte horizontal

Na figura 3, se vê como as diversas paredes formam as células, ligando o intradorso ao extradorso (que não aparece nesta figura).


Jean Claude Bétemps, André Bohn e Gérard Bosson - 1978
Os três paraquedistas tiveram a idéia de praticar escalada nos alpes franceses, e utilizar paraquedas para descer, ou seja, poderiam praticar o esporte sem ter que saltar de um avião. Pouco tempo depois, Gérard Bosson fundou a primeira escola de parapente do mundo, o "Club Les Choucas".

     


Laurent de Kalbermatten - 1984
Kalbermatten fundou a Ailes de K, primeira fábrica de parapentes para comercialização.


E daí para frente foram muitos e muitos avanços na tecnologia, proporcionando mais desempenho, segurança e leveza.
Hoje, é possível fazer um vôo de dezenas (ou centenas) de quilômetros, pousar, dobrar a aeronave e levá-la nas costas até o ponto de ônibus mais próximo.

Houve uma bifurcação entre os paraquedas e os parapentes.

Nos paraquedas, o objetivo é tirar o praticante da queda livre e levá-lo em segurança até o chão. O importante aqui é uma abertura segura. Dirigibilidade e planeio são desejáveis, mas não prioritários.

Já nos parapentes, não há salto, nem queda livre. Se decola de uma montanha, e o objetivo é voar. Para tanto, as prioridades são reduzir o arrasto, aumentar o planeio e conseguir uma maior amplitude de velocidades horizontais, tudo isso sem abrir mão da segurança.

As diferenças mais óbvias entre os paraquedas Ram Air e os parapentes são:
  • Menor tamanho de corda (distância entre os bordos de ataque e fuga);
  • Substituição do formato quadrado por um mais elíptico (corda maior no centro e menor nas pontas);
  • Maior envergadura de asa (distância entre as pontas esquerda e direita);
  • Maior alongamento (relação entre a envergadura e a corda média);
  • Perfil de asa mais baixo (menor distância entre o extradorso e o intradorso);
  • Bocas menores, e mais apontadas para a frente (o que indica melhoria no planeio);
  • Materiais mais leves, visto que o equipamento não precisa suportar aberturas em queda livre constantemente.


Paraquedas


Parapente

Em um exemplo de realimentação tecnológica, hoje há fabricantes de paraquedas incorporando a tecnologia desenvolvida para o parapente em seus produtos, como por exemplo o PARIS.




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